Esfolando o joanete


Sei lá, mas hoje eu seria uma ameba. Sem problemas. Sem ressentimentos.

Não sei porque todo mundo acha isso ruim. Não deveria ser ofensivo dizer “Fulano, você é uma ameba”.

As amebas têm carioteca e isso basta.

Poderia ser uma ameba de vida livre. Ficar por aí, exercitando meu vacúolo pulsátil. Sem cartão de crédito, sem ter que fazer barba, sem hora pras coisas. Eu não me preocuparia com o índice Nasdaq, nem com o fator de impacto dos periódicos. Não faria diferença alguma ser quarta-feira ou domingo.

Volta e meia eu prolongaria meus pseudópodos e fagocitaria uma porcaria qualquer. E isso seria suficiente por algum tempo.

Há certas vantagens. A começar pelo nome. Eu teria orgulho de ser uma Entamoeba hartmanni ou então, uma Iodamoeba butschilli. Ninguém precisa ser um doutor em línguas latinas para saber que Homo sapiens é um nome sem graça.

Poderia ser, também, daquelas amebas mais jedi, aquelas que tem uma teca. Afinal, parece seguro viver com alguma coisa mais resistente em volta de si mesmo. Seria como viver dentro de um ovo, eu imagino. Nada de airbags, nem de band-aid. Não precisaria de capacete nem jaquetas com kevlar. Toda a proteção do mundo ao meu dispor.

Mas não sei se eu perderia a chance de ser uma ameba patogênica. Humano, penso como seria desagradável viver no intestino alheio. Mas em sendo uma ameba, seria o paraíso. Passar meus dias no ceco, fazendo expedições esporádicas ao íleo, talvez. Inserir meus pseudópodos lascivos nas mucosas alheias. Merda seria a ordem do dia. Sempre. E viver na merda seria objetivo de vida.

Isso sem pensar nas amebíases extra-intestinais. Já ouvi falar sobre algumas delas. As amebas são nervosas, diga-se de passagem. Existem milhões de possibilidades para uma ameba.

Lembro-me de quando fiz estágio na parasitologia. Do ritual de preparação do cocô. Dos métodos de Lutz, Ritchie, Kato-Katz, Willis, Baermann-Moraes. Esta merda toda, sem trocadilhos.

E era a glória para mim achar uma ameba nas amostras. Eu ganhava meu dia com algo que, para o dono do cocô, era sinônimo de diarréia, dor de barriga, flatulência. Mas eu não pensava nisso. Tinha pena quando sabia que era criança, apenas. E mais pena ainda quando o diagnóstico era Ascaris +++. Não quero entrar nestas questões.

Voltando às amebas, o difícil era contar a quantidade de núcleos. Sem contar os núcleos não dava para saber de qual ameba se tratava, exatamente. Entamoeba coli, Entamoeba histolytica ou Entamoeba hartmanni? Era a maior dúvida das minhas tardes do segundo semestre de 1999.

Mas eu seria qualquer delas, hoje.

Fico imaginando o contentamente em saber que, por causa de um companheiro de espécie, um Bush (ou o Lula, ou o Lulu Santos, ou o Carlinhos de Jesus, ou algum comunista) flatulento passou vergonha. Pensar que por minha causa, um show de pagode foi cancelado. A nota oficial seria algo como “Por motivos de saúde, o vocalista dos Moleques Marotos foi obrigado a cancelar o show que realizaria hoje. Vandercleidsonn teve uma pequena indisposição mas está se recuperando”. Pequena indisposição, o caralho! Diarréia brutal, meu caro. “Estava cagando sem o cu saber”, como diriam.

Ganharia o prêmio “ameba do ano”, ou coisa do tipo.

E quando ficasse de saco cheio disso tudo, a cissiparidade seria a solução. Bipartição simples, ok? Deixaria dois de mim aí no mundo, levando caganeira aos incautos. Não conheceria os prazeres da reprodução sexuada, é bem verdade. Mas seria um momento memorável da mesma forma.

Eu seria uma ameba sem problemas. E em sendo uma ameba, não escreveria uma bobagem destas.

Escrito por Nuno às 19:23
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Sonhei com a Uma Thurman um dia destes.

E antes que alguém tente especular sobre as aventuras oníricas alheias, eu explico. Não, eu não sonhei que ela e eu estrelávamos um sucesso do Cine Privé. Nada de kama sutra, carros velozes, drogas e armas de fogo.

Foi um sonho inusitado apenas.

Sonhei que a Uma Thurman morava no canto esquerdo da minha mesa-escrivaninha. A cabeça dela, para ser mais exato. Reinava soberana, em meio ao caos, aquela cabeça loira.

Ela falava sim. E abria os olhos também. Mas ela era, na verdade, um apontador de lápis. Pode parecer doentio, eu sei. Mas aconteceu.

Era colocar a ponta do lápis na orelha dela e esperar alguns segundos. Nada de botões, manivelas. Era um apontador automático, daqueles com um barulho simpático

Espero que ninguém faça uma interpretação freudiana-chavão do meu sonho. Que colocaria o lápis na orelha como uma metáfora sexual bizarra.

Entretanto, reconheço que a Uma Thurman é uma devotchka horrorshow.

Tá, eu sei que ela tem um olho muito afastado do outro. Se bem que é pouco muito afastado. Nada demais. Afastado mesmo são os dois olhos do Néstor Kirchner. Fato!

Desagradável é tocar no assunto “os pés da Uma Thurman”. Isso sim é relevante. E triste. E revoltante.

O pé dela é feio. Feio demais. Deveria figurar no top 25 do uglyfeet.com. Até hoje não consigo acreditar que ela tem aqueles pés. Não combina. Não combina de jeito nenhum. É como beber uma Guinness com uma rodela de laranja. Ou comer cachorro-quente com ervilha.

Mesmo antes de “Kill Bill” dava para perceber que o pé dela era estranho. Mas para mim o pé da Uma Thurman era um POP. Como o disco-voador foi um POP para o Ford no “A vida, o universo e tudo mais” (da série “o Guia do Mochileiro das Galáxias”).

“Acho – respondeu Ford – que tem um POP ali.

Um o quê? - perguntou Arthur.

Um POP.

Um POP é alguma coisa que não podemos ver, ou não vemos, ou nosso cérebro não nos deixa ver porque pensamos que é um problema de outra pessoa. É isso que POP quer dizer: um Problema de Outra Pessoa. O cérebro simplesmente o apaga, como um ponto cego. Se você olhar diretamente para ele, não verá nada, a menos que saiba o que ele é. A única chance é conseguir ver algo olhando de soslaio.

Ah – disse Arthur -, então é por isso...”

Mas naquela cena da Beatrix Kiddo “reanimando” o pé na caminhonete, eu consegui ver. Foi chocante. Terrível. Algo comparável a descobrir que a Audrey Hepburn tinha as costas peludas.

Nestas horas, eu tenho minhas dúvidas se a Uma Thurman não é uma farsa. Um andróide, o que seja. A Irene, a Poison Ivy e a Mia Wallace não teriam um pé feio daqueles. Ainda mais o pé! Que fosse o pâncreas, a supra-renal, o baço. Mesmo a mão. Mas o pé não.

E tem um agravante. Eu não a conheço pessoalmente. Ela pode ser uma farsa mesmo.

Aliás, vi “ao vivo” apenas duas mulheres famosas (que aparecem na TV, para ser mais exato).

Uma vez passei perto da Adriane Galisteu no aeroporto da Pampulha, isso há alguns anos. A lembrança que tenho é a de que ela era linda pessoalmente. Mas não sei não.

Eu havia acabado de sair do Mineirão, Galo 2x1 Fluminense, festa. Eu estava um pouco bêbado ainda. E ela estava de boné, e só tirou os óculos escuros por alguns segundos.

Acho que não vale.

Outra vez foi a Daniele Hypólito. Saindo do supermercado, aqui em Curitiba, vi uma trupe de alguns baixinhos. E uma mulher mais alta, a Branca de Neve do grupo. Entre eles, nossa famosa ginasta.

Faço parte da minoria que acha a Daniele Hypólito bonitinha. Sou exército de um homem só entre as pessoas que conheço. E quase fui espancado em praça pública por isso. Sustentar esta opinião faz com que eu seja motivo de chacota entre alguns amigos.

Mas o que eu posso fazer? A menina é baixinha, usa (usava) aparelho, tem uma carinha de Gremlin... muito puppy!

Nada comparável à Uma Karuna Thurman, entretanto.

Aquela do pé feio.

Espero ter sonhos que não sucitem tais dilemas.

Tenho esperança de sonhar com coisas mais simples. Uma lata de milho verde seria bom. Ou então uma barraquinha de churrasco grego.

E no caso do churrasquinho, espero que ninguém faça uma interpretação freudiana-chavão do espeto.

E calce as meias, Uma!

Escrito por Nuno às 14:51
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