Esfolando o joanete


Tentei me enganar durante algum tempo, achando que escreveria com uma certa freqüência neste blog ridículo. Se bem que escrever alguma bobagem, de dois em dois meses que seja, ainda pode ser considerado “blogar esporadicamente”. Hoje me deu vontade de falar nada de merda nenhuma. Do nada. Estava aqui, ouvindo B-52's e criando coragem para ler um artigo, mais especificamente “Birth-Death Models in Macroevolution”, e lembrei que tenho que fazer valer, por aqui também, o dinheiro que o uol me morde mensalmente.

Não tenho assunto nenhum para escrever. Poderia tentar falar da reprodução assexuada em paramécios. Ou do penteado do primeiro ministro de qualquer país obscuro. Da dificuldade em se abrir uma lata de atum quando se está com a mão molhada. Divagar, com pesar, sobre o fato que o boteco mais doido de Curitiba não aceita Visa. Enfim, coisas de extrema importância.

Pior que eu até teria sobre o que falar. Nestes dois meses aconteceram coisas dignas de menção (a propósito, “menção” é uma palavra desgraçada de feia!). Mas tenho muita preguiça de escrever sobre estas coisas... É chato escrever sobre coisas totalmente reais. Não sempre, mas hoje é. Ainda mais hoje. Estou aqui pensando no relatório do dia 15, no ensaio que deve ser entregue na quinta, no texto para ler para amanhã. Bobagem ficar lembrando e tentando escrever sobre estas coisas que sempre atormentam os seres humanos às segundas. E mesmo no caso de coisas mais aleatórias. Ninguém precisa saber que eu ainda continuo com o mesmo medo insano de pisar em uma gilete sempre que vou tomar banho.

Mas uma coisa eu tenho que escrever. Não é nem preciso dizer que vou escrever algo extremamente dispensável e idiota. O tipo do assunto que deveria ser classificado em “não percam seu precioso tempo escrevendo sobre isso, crianças”.

É que ontem fiquei realmente preocupado. Madrugada, e não conseguia dormir na hora “certa”, como sempre. E normalmente, pelas 4:20h, tenho um certo impulso de ver o que está passando na Record. Deve ser encosto. Ou coisa do tipo. Afinal, sei que vai ser o mesmo pastor magrelo, falando de macumba. Ou de rituais, como queiram. Barbada! Só é difícil saber se naquele dia, o “enigma” desvendado vai ser o da cachoeira, do cemitério ou da mata virgem. Ontem foi o da cachoeira. Povo estranho, viu? O cara sai de casa e vai a uma cachoeira linda para procurar macumba! Nada de cerveja, nada de mulher de biquini. A única cachaça e a única comida são do santo. E, por comida, entenda-se farofa. Apesar de que ontem tinha material para uma salada de fruta mega-ultra-blaster.

Sei lá. Quando é no cemitério ainda vai do cara manter a seriedade. Normalmente simpatizo com cemitérios, mas não tenho vontade nenhuma de tomar cerveja lá. Acho que só os góticos sabem o prazer que existe no programa “álcool + cemitério”. O que não vem ao caso, aliás.

A questão aqui não é a gastronomia dos enigmas da Igreja Universal do Reino de Deus. É outra. Demorei um tempo para perceber, mas percebi: agora, os telepastores da madrugada usam preto. PRETO! Preto escuro, preto pacarai! Lembrei, saudoso, dos dias em que eles só usavam branco. Fosse para falar do Vale do Sal, da Sessão do Descarrego, ou de qualquer outra coisa do naipe, eles só usavam branco. Particularmente, gostei do preto. Nestas circunstâncias, melhor parecer um segurança zeloso que um enfermeiro aloprado. Sem contar que, segundo a Glorinha Kalil, “preto emagrece, querido!”.

Imediatamente vi tudo sobre uma ótica totalmente maniqueísta: se antes eles usavam o branco para simbolizar o bem, agora eles estão do lado negro da força. Medo! Muito medo! Já até sei quem é o Darth Sidious. E pensar que, de agora em diante, minhas eventuais madrugadas televisivo-esotéricas serão povoadas por aspirantes a Lord Sith... Mas não tenho dúvidas que os da Record aqui de Curitiba (RICTV, no caso) sejam apenas soldados. Os caras sempre ficam com os horários mais ingratos, sofrendo para receber um telefonema. Os mais graduados devem falar perto da meia-noite, hora mais cabalística e com mais audiência. E os Sith moram em São Paulo, pelo que imagino. Patentes pentecostais a parte, seria melhor que todos eles continuassem no branco básico. Pareceriam, sem maiores problemas, Imperial Stormtroopers de respeito.

Escrito por Nuno às 22:09
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